DEPUTADA AO PARLAMENTO EUROPEU

EUROPA COM O MINHO NO CORAÇÃO

Nova Comissão Europeia – um voto de confiança, não um cheque em branco

Na passada quarta-feira, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu deu o seu voto de confiança à nova Comissão Europeia liderada por Ursula von der Leyen. Recordo aqui que, esta não foi a candidata inicial apoiada pelo grupo político da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, no qual me insiro. Contudo, em julho passado, a atual Presidente da Comissão assumiu no seu compromisso perante o Parlamento e perante a Europa dos cidadãos, um conjunto de prioridades que consideramos fundamentais e que em nosso entender definem quer a essência do projeto europeu, quer o que deverá ser o futuro da União Europeia. E foi na medida em que a Presidente eleita assumiu esse compromisso que consideramos ser importante dar-lhe agora, a ela e à sua equipa de comissários, um voto de confiança para o mandato de cinco anos.

 

Entre as prioridades que valorizamos e com as quais von der Leyen declarou também o seu compromisso, estão desde logo a ideia de progredir rumo a maior sustentabilidade ambiental sem nunca a desligar de maior justiça social. Uma inclusão ecológica que secundarize a inclusão social não só criaria o fracasso da primeira, como seria contrário a tudo o que temos por fundamental na definição da identidade do projeto europeu: o pilar dos direitos sociais, da solidariedade e da coesão social.

 

Mas dar um voto de confiança não é passar um cheque em branco.
Durante o processo de audições aos comissários, o polaco Janus Woiciechowski, indigitado para o portfólio da Agricultura, foi avaliado negativamente por nós na sua primeira audição, e submetido a uma segunda audição. Ora, não obstante a sua posterior confirmação, a verdade é que as exigências manifestadas, entre elas as minhas, quanto a maior detalhe sobre a sua visão de longo prazo para a Agricultura na Europa, e o que exatamente entende a Comissão por Estratégia Farm to Fork (da quinta para a mesa) mantém-se atuais.

 

Voltando a von der Leyen não posso deixar de assinalar que das 4213 palavras do seu discurso, apenas 129 são dedicadas aos setores das Pescas e da Agricultura, e destas, apenas 44 foram especificamente dedicadas à Agricultura sem nunca a referir expressamente. Nessas escassas palavras, enuncia-se a intenção de apoiar financeiramente os jovens agricultores, a necessidade de os produtos importados terem de cumprir com os padrões ambientais da UE, e a necessidade da UE apostar na estratégia Farm to Fork de que aqui falarei em outra oportunidade. Ora, precisamente porque uma das grandes preocupações dever ser a inclusão social, creio que será fundamental estarmos muito atentos ao modo como essa inclusão social será equacionada no que tange aos agricultores, pois um dos princípios orientadores dos processos de transição e de modernização agrícola que não poderá de modo algum ser descurado, deve ser o princípio de não deixar ninguém para trás.